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Saltei do Sofá

Blogue pessoal sobre a minha viagem à volta do mundo, desde o Sudeste Asiático até à América do Sul.

07
Mar18

Myanmar – o país onde têm mais fotos minhas do que eu deles

Se queres visitar o Myanmar, o momento é agora!

Depois de 15 dias na turística Tailândia, aterrei de avião em Mandalay – a segunda maior cidade de Myanmar. Rapidamente senti as diferenças face ao país vizinho. O caótico trânsito em que se conduz à direita mas o volante mantém-se também à direita, a buzina como o elemento mais importante dos transportes, as passadeiras que não existem, os passeios que servem para tudo menos para as pessoas se deslocarem neles.

Cheguei esfomeada e entrei no primeiro restaurante que me apareceu à frente. O primeiro desafio, ninguém falava inglês. Lá tive de recorrer à melhor linguagem do mundo que é o gesto e fiz a minha primeira refeição no país dos amendoíns por 0,50€. Depois de saciar o estômago, saí para um primeiro reconhecimento da cidade. E foi nesta caminhada pela tarde que me senti um verdadeiro alien. Não encontrei mais nenhum turista ocidental e as pessoas locais olhavam-me com admiração. Encontrei pelo caminho um grupo de miúdos que decidiu seguir-me enquanto iam alegremente dizendo “hello, hello” e colocando os dedos nos olhos a simular os meus óculos. No Myanmar é raro ver-se pessoas de óculos e por diversas vezes fui alvo de curiosidade exatamente por usá-los.

Tentei encontrar uma paragem de autocarro que me levasse a ver o pôr-do-sol na famosa ponte de teca, no entanto foi impossível tal feito uma vez que não existe aboslutamente nenhuma sinalética em inglês. E decifrar os caracteres birmaneses não é algo exequível para mim.

No dia seguinte, aluguei uma bicicleta e embrenhei-me no trânsito enquanto rezava para sobreviver. Mas rapidamente aprendi a técnica para conseguir atravessar os imensos cruzamentos desta cidade geométrica, posicionar-me ao lado de uma carrinha que seguisse na mesma direção que eu e pedalar ferozmente para acompanhar o ritmo e chegar viva ao outro lado da estrada. Fui até ao porto de barcos que me levaria até Mingun. Fiquei contente quando lá cheguei e encontrei mais turistas, sinceramente já estava a sentir falta de alguma familiaridade.

Quando cheguei a Mingun, fui completamente assediada por uma senhora Birmanesa muito simpática que enquanto me ia explicando a história das ruínas me impingia um leque pintado à mão. Tentei livrar-me dela, mas fui vencida pelo cansaço e acabei por comprar-lhe uma pulseira, segunda ela de pedra jade verdadeira. Os birmaneses são um povo espetacular, super simpáticos e atenciosos, mas esta atitude comercial agressiva que se encontra nos locais turísticos de facto irritou-me. Mas depois penso nos meus meninos de Bagan, tão queridos e amorosos que me ofereceram um prato cheio de frutas, o senhor do barco que me disse que era o dia de sorte dele porque eu era a primeira portuguesa que conhecia ou a Nanda, a guia do trekking que fiz de kalaw a Inle Lake, que me inspirou desde o primeiro momento com a sua força e determinação para seguir atrás dos sonhos e ter uma vida melhor, pela simplicidade e pelo bom coração.

De facto, quando penso neste povo enche-me o coração. Visitar as aldeias das minorias étnicas e dormir nas suas casas foi das experiências mais enriquecedoras que poderia ter. Embrenhar-me nos costumes e ver de perto o dia-a-dia destas pessoas fez-me perceber o quão puro e genuíno este país ainda se mantém. E para mim, enquanto viajante, isso fascina-me. Não quero visitar outros países e encontrar o mesmo que tenho no meu, quero encontrar algo típico desse país com todas as características e diferenças que lhe são inerentes. Gosto de visitar locais onde me pedem para tirar fotos comigo exatamente por não estarem acostumados a conviver com estes espécimes de pele clara e nariz grande.

Por isso vos digo, se querem visitar um país ainda puro e pouco turístico este é o momento. Aproveitem, antes que os chineses e os franceses estraguem isto tudo.

 

 

Quem sou eu

Sou uma miúda inconformada e curiosa. Passei a maior parte do meu tempo a viajar no sofá, através da minha mente imparável. Mas, aos 30 anos, descobri que era altura de saltar do sofá e ir viver com os 5 sentidos.

Armada em Fotógrafa

Para desabafos

salteidosofa@gmail.com

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